garotas finais e cultura pop 🔪🏃🏽♀️
Este é o meu segundo contato com a escrita do Grady Hendrix, autor que teve seu trabalho mais em alta por razão do sucesso do livro O exorcismo da minha melhor amiga, que ganhou até adaptação pela Amazon Prime.
Mas meu primeiro contato com a escrita do Grady foi com As donas de casa caçadoras de vampiros, que ainda pretendo trazer numa resenha aqui.
Em O grupo de apoio para garotas finais minha experiência foi positiva e negativa. Houve pontos elogiáveis mas outros que prejudicaram o andamento da história.
Um problema que senti em As donas de casa caçadoras de vampiros (porque títulos tão grandes?🤣) foi o pouco desenvolvimento das donas de casa, o autor deu mais ênfase para a história da protagonista e apenas no final ele dá destaque às outras donas de casa.
Em O grupo de apoio, o autor melhora nesse quesito, sendo então o primeiro ponto positivo. Apesar da protagonista Lynnette ter todo o destaque, as outras personagens: Dani, Chrissy, Marilyn, Heather e Julia recebem o seu galardão. Suas histórias ganham pano de fundo nas mãos do escritor, que faz questão de criar um filme para cada uma, com direito a sinopse, continuações e artigos de opinião de críticos.
Isso enriqueceu muito o livro, e foi outro ponto positivo que amei, em todo tempo recebemos em finais de capítulos alguns desses “hiperlinks”, mesmo sabendo que eram criações do autor, não resisti e pesquisei um dos filmes no Google, quis ter certeza que era inventado mesmo, rsrs, pois pareceu muito real.
Os homens morrem porque cometem erros. As mulheres? Nós morremos porque somos mulheres.
Infelizmente alguns pontos me levaram a pensar que essa história poderia ter sido melhor.
A Lynnette é a personagem que narra a história, ela tem 37 anos e vive um transtorno pós traumático após se tornar uma garota final. Ela é agorafóbica, ou seja, um transtorno de ansiedade que tem como característica o medo de lugares ou situações de onde escapar possa ser difícil ou onde o socorro seria difícil. Outra personagem com o mesmo transtorno é a protagonista do livro A Mulher na janela, que tem adaptação.
Por ser agorafóbica, a Lynnette desenvolveu diversas estratégias de proteção, dentro e fora de casa, rituais de controle e proteção. Por um lado demonstra a maturidade da personagem e também seu senso exacerbado de auto proteção. É uma personagem super desconfiada também, cuja confiança é difícil de ganhar, a não ser que ela dê o primeiro passo. Nisso, sua narrativa tornou-se muito cansativa.
Não acredito que seja por causa do transtorno dela, afinal, li A mulher na janela e não tive esse problema. Acredito que seja porque o autor demora pra dar ritmo à história, ela fica um período muito grande vivenciando seu drama e tentando provar sua ideia, foi desafiador mas eu queria saber o final, por essa razão continuei e assim conclui o livro, mas o meio do livro foi linear.
O fato das garotas finais não serem adolescentes e se precaverem evitou muitos erros primários e repetitivos, comuns em filmes com perseguição. Esse foi um ponto positivo.
Os diamantes podem ser os melhores amigos de uma garota, mas as armas de fogo confiáveis são as melhores amigas de uma garota final.
Acredito que se o autor tivesse escolhido narrar a história em terceira pessoa, teria sido muito melhor! Geralmente não me incomodo com as narrativas em primeira pessoa mas nesse caso, diante de garotas finais com tanta personalidade, perdemos em não ver a história acontecendo em outros lugares.
Ter esse olhar de 360º teria sido fundamental para dar maior dinamismo à esse livro, o ritmo ficaria melhor e também teríamos ainda mais contato com as outras garotas finais, com histórias igualmente interessantes à da protagonista.
Por fim, o final foi ouro. O final traz muito ritmo e adrenalina, muita ação, perseguição, mortes e emoções. O objetivo do autor era devolver às garotas finais o protagonismo e destaque que elas mereciam e a força para serem mais lembradas que seus algozes e acredito que ele conseguiu.
Há tanta vida e ela apenas continua. Talvez não a vida de todos, mas a Vida. Não para por ninguém.
Para os que são fãs de filmes slashers talvez se decepcione por causa do ritmo do livro, que só lembra esses filmes no final. Entretanto, se pensar sob a perspectiva de ser um livro que fala sobre o pós das garotas finais, o que aconteceu com elas, cumpre bem o seu papel.
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